quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Não venhas tarde...

Há pessoas para as quais devemos de ser anjos – sem sexo – subentenda-se. E eles para nós, uns diabos, em que os pensamentos imaculados não são - de todo - os mais frequentes.

Conheço-o há muitos anos, tantos que se tivessem corpo estavam à beira de atingir a maioridade. E desde que o vi, nunca me foi indiferente. 

Sem explicação, porque estas coisas não se explicam. 

A vida segue sempre um rumo, não importa se correcta ou incorrectamente, mas não pára. E as nossas vidas sempre seguiram caminhos diferentes, mas quando nos cruzamos, a minha mente vagueia no mundo dos “ses”.

Continuo a achar, que se eu mandasse no destino, muito provavelmente fazia com que o nosso se cruzasse de uma forma bem mais romântica.

O destino deu-nos uma chance, testou-nos, e uma vez mais, chumbamos.

Os convites eram tão bem articulados que era impossível recusar.

Os passeios pela nossa Alfama, desabitada pelo tardar das horas, depois das tascas fecharem cansadas de mais uma noite da nostalgia bem-fadada que só os amantes do fado compreendem. Noites cheias de histórias e sorrisos. Mas ainda assim, sem qualquer indicio de reciprocidade além da amizade que nos une. Por vezes, só isso é uma bênção. Outras vezes, sabe a pouco.

Na hora da despedida, ele tinha ainda mais encanto… 

No meio dos pensamentos pecaminosos que me vagueavam a alma, tremia. Ansiava pela próxima saída e prometia a mim mesma que ia confessar, o que nem às paredes se confessa. Recuei. 

Para não variar, ele seguiu o caminho dele, e eu seguirei o meu. Receio que chegue o dia em que perceba, e seja tarde demais.

E de repente, fez-se silêncio, como se se fosse cantar o fado.


segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Quanto vale um Amor?



“O que precisas para pensar em ti?!”


Tantas e tantas vezes faço esta pergunta, e sempre a mesma resposta - Sei lá!!


O pior nem é a pergunta em si, é a resposta que não querem dar – assumem! Não sabem estar sozinhos. Custa deixar ir ou abandonar um Amor - mesmo que ele se revele, em certas alturas, o antónimo de um Amor. Falta a coragem na hora certa, recuam na hora da verdade.


Pior mesmo é quando do coração pergunto, a quem gosto muito, de verdade. Àquela amizade que sabe tudo de nós e nos respeita - tanto ao pondo de nos ver mal tantas e tantas vezes e apenas estar lá - para ouvir as nossas lamurias – dia após dia e vice-versa. Genuinamente. Ai sim, a resposta à pergunta faz pensar a sério. Pensar no que estão a deixar que aconteça na vida e no que passam em prole de um Amor, em já só resta o nome. Uma história, e muito provavelmente só um passado.


Começo a achar que a idade nos trás sabedoria e experiências, mas também nos trás muitos medos e ‘demências sentimentais’- aceitação do mau como parte integrante do todo.


Por enquanto, está sem resposta para me dar, a minha amizade sem fim! - Mas percebo que ‘chocalhou’ tudo lá dentro. 


Pensar a fundo no que deixam ir por um Amor, no que deixam de fazer por um Amor, no que deixam de ser por causa de um Amor – doí imenso (e o ser Humano foge da dor a ‘sete pés’). Ansiamos tanto ser felizes que achamos que viver em prole da outra pessoa é o caminho certo. Desejamos tanto ser felizes, que nos esquecemos de nós próprios e passamos a viver para o outro sem olhar para trás. 


‘Somos bichos sociais’, é certo. Gostamos de receber festinhas e então se temos um Amor, queremos prolongar ao máximo o papel de gato meloso. Esquecemo-nos que as relações genuínas não têm teatros. O Amor surge do genuíno, da autenticidade, não de jogos psicológicos. Impressionar quem se Ama, gasta muita energia. Horas e horas a pensar que roupa usar, que perfume meter, que frases proferir, que historias contar, quando às vezes nem nós estamos predispostos e convencidos do que fazemos. Na realidade e quando um Amor, deixa de o ser, a outra pessoa tem mais que fazer do que gostar de nós. Têm uma vida! - E vocês?! O que têm?!


Se optassem por ser iguais?! Se dessem à relação - a lei de reciprocidade?! Se parassem de agradar, à espera da felicidade e começassem a gostar mais de vocês?! 


Acreditam num amanhã sempre melhor que um hoje e têm esperança, acreditem! 


Talvez a chave de tudo seja mesmo a Esperança! – e anulam-se.


Esperança - de um Amor verdadeiro, apenas. Como tanto merecem - merecemos.

domingo, 10 de dezembro de 2017

COMUNICADO oficial



Perdoem-me a ausência, e ao contrário do que possam pensar, não houve qualquer alteração de estado. Só uma vida profissional atribulada. 

No entanto, tentei responder a todas as mensagens que iam chegando, algumas mesmo preocupadas com tanto silêncio. Outras completamente equivocadas com o propósito desta página. 

Ora passo a explicar: 

Ultimamente, abordam-me com bastante regularidade sobre “como fazer para contactar”, nas primeiras abordagens, sem perceber ao certo do que se tratava, perguntava ingenuamente ao que se referiam, ao qual respondiam claramente, nas primeiras cinco fiquei perplexa e nem tinha resposta pronta, depois passei à fase em que tentava explicar que o propósito e que era um blog, o que, a bem da verdade, após a explicação o mais detalhada que me foi possível, evaporavam. 

Comecei então a pensar com a cabeça de quem mal me interpretava… que imaginavam uma serie de trintonas vestidas com deslumbrantes lingeries, saltos agulha, cabelos longos e sedosos – de todas as tonalidades – e eximiamente maquilhadas. De facto, o título pode levar a conclusões precipitadas, ou não! Mas como tudo, depende sempre do propósito da pesquisa. 

Posto isto,  lamento desiludir uma percentagem – ainda não definida - dos seguidores mas por aqui só uma pessoa escreve, em trajes bem descontraídos, de cabelo preso com uma mola cor-de-rosa e neste preciso momento com uma mascara de mel na cara. E o objectivo continua a ser o mesmíssimo de há uns anos, não sabem qual é? Vão à página oficial do blog Solteira aos 30  e voilá! 
Bem-haja a todos o que me seguem e estou de volta, com muita partilha. Ah, e com muitos temas controversos. 

A gerência agradece a compreensão. ;)
Até já.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Danos colaterais


Sexta-feira, 13 de Outubro, 11h15, oficialmente aniversariante.

Parece assustador, mas não é, pelo menos para mim. É inevitável que, de vez em quando, aconteça fazer anos numa aparentemente assombrada sexta-feira, 13!

Não sou género de me lamentar pelo que não tenho neste dia, apesar da inevitável introspecção. Não fossem as perdas que tive nos meses que antecederam e seria mais um ano, mais uma voltinha e o pensamento sempre positivo.

Até aqui, não há novidades. Partilhei o dia convosco e fui agradavelmente surpreendida pelos tantos comentários e gostos que enriqueceram o meu dia.

Correu lindamente, todos os meus queridos familiares e amigos me felicitaram. Tirei o dia para cuidar de mim - afinal uma sexta-feira, possivelmente negra podia acontecer - e tirando a cor do cabelo que ficou ligeiramente mais aberta do que era suposto, foi um bom dia.

Claro que não aconteceu nada de transcendente nem para o bem nem para o mal. O que, dadas as circunstâncias, uma pessoa já se dá por feliz. 

No entanto, não é mito; a idade pesa. 

Não bebo nem fumo. Bebo socialmente e o problema é que há dois fins-de-semana que socializo em demasia, e se a cabeça não tem juízo, o corpinho é que paga. O bem que sabe vs o mal que me faz. Quando, muito de vez em quando o fazia, costumava recuperar bem, estava sempre impecável. O dia que se seguia era quase um dia normal. Agora já não. Demoro uma eternidade para recuperar - e garanto-vos que não estou a exagerar. Ainda não tinha recuperado do primeiro round, muito menos do segundo, quando chegou o meu treze, e pronto - o terceiro e quarto rounds, mais umas noitinhas a acabarem tarde e a más horas. [ou boas, depende da perspectiva]e acabei vencida por KO!

Em dois fins-de-semana corremos os bares da moda, aproveitando os rooftops da cidade e as discotecas da moda. Diverti-me como há muito não acontecia. Estou de rastos, vou ter de fazer uma pausa forçada no próximo fim-de-semana, mas a verdade é que este Outono com temperaturas anormais incita a saídas. Anima a vida.

Valerão a pena os danos colaterais? Sem dúvida.
 
Volta chuva, para além de ser tão desejada por todo o País, uma pessoa tem muito mais desculpas para ficar em casa a ver series com a mantinha.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Um episódio para - não - recordar

O facebook avisou-me de uma amizade antiga, tão antiga quanto esta história. Real.

O poder do mundo virtual aproximou-nos. Fomos apresentados, virtualmente, através de um casal amigo, que nos achavam parecidos na sensibilidade e na dedicação numa relação - ambos saídos de fresco de relações longas.

Tínhamos uma relação virtual maravilhosa, corria lindamente. Inteligente, culto, divertido e amigo do amigo.

Na altura - e ainda de vez em quando - eu fazia de vitrinista e dava largas à imaginação. Acho que ele era a única pessoa que olhava a montra com uma visão diferente, diferente de todos os que iam à loja. Ele sabia sempre que na noite anterior a tinha feito. Congratulava-me mesmo quando não corria tão bem quanto o esperado.

Na única vez em que fui terminar a montra de dia...

Ele subia pelas escadas rolantes, e pelos espaços em aberto que os panos que cobriam permitiam, vi-o. Dirigi-me à porta com o meu melhor sorriso, estava feliz pela agradável coincidência, pensei que se dirigisse a mim da mesma maneira e foi então que me surpreendi. 

Mal sobe a escada, salta o último degrau e começa a correr, eu e os amigos ficamos a olhar uns para os outros, eles nada disseram, eu nada disse. Não sabia se havia de rir ou chorar, mas acho que o espanto me bloqueou as ideias. A verdade é que ele não só corria velozmente como derrapava a cada curva - qual Speedy González - e eu - nós - completamente pasmada a vê-lo desaparecer. Confesso que por segundos, ainda pensei que não me tinha conhecido, depois pensei se tinha assustado e entretanto percebi que independentemente de tudo aquilo que me passasse pela cabeça, nunca ia encontrar a explicação. Horas depois, recebo um email - a via que nos dávamos tão bem - um pedido de desculpas acrescido de uma enorme vergonha percorriam cada linha. 

Nunca imaginei um episódio assim, aos trintas.

Ficamos algum tempo sem falar, o tempo de eu digerir e tentar encontrar uma explicação, e ele, bom de ele ganhar coragem.

Dois meses depois, bebemos café. Correu melhor, pelo menos não fugiu.

Continuamos a falar com o monitor como testemunha, admirava-o. Até que um dia me mandou um email em que não entendia o que nos faltava. Prometi que um dia respondia. Podia dizer que faltou química, cumplicidade... Ou outra coisa, ou todas elas. Mas na verdade, de tanta coisa que lhe podia dizer, só me ocorre...

Não há uma segunda oportunidade de causar uma boa primeira impressão. Bastava um sorriso, e tudo podia ter sido diferente.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Feliz, por ter escolhido ser Feliz!

A manhã tinha sido atribulada mas extremamente gratificante. Merecia uma pausa para repor energias, pensar, reflectir e organizar a tarde árdua que se avistava - como eu gosto - sem tempo para respirar mas, no final do dia, o sabor a dever cumprido. 

Sentada, com uma vista maravilhosa enquanto esperava uma colega de trabalho, à beira de um ataque de nervos, numa embrulhada sentimental, vislumbro uma pessoa que me parecia familiar, desolhei e fiquei a pensar de onde a conhecia. Já não sabia se era do banco, do café ou de outro sitio qualquer. 

Triste foi chegar à conclusão de que era um ex namorado. Alguém de quem um dia gostei muito, e nunca pensei sentir a indiferença que senti. Muito menos não o reconhecer de imediato - mesmo com óculos de Sol - nem que fosse pelo perfume,  pela voz, pelo penteado ou pelo "tique" nervoso só perceptível aos mais atentos. Certo que passaram anos, mas ainda assim, foi estranho.

Respirei fundo, bem fundo, num misto de alivio com a sensação de liberdade. Ele não me viu, ainda bem, não temos nada para falar e mesmo sem ódio, é tão melhor viver sem toxicidade emocional. Mais uma prova, de que o meu passado está tão bem resolvido.

Com um sorriso interior que não consegui conter e exteriorizei, pensei: as voltas que a vida dá. Obrigada "destino", já sabia, mas hoje reforcei a teoria de que nada acontece por acaso. E o que não tem de ser nosso, não é. Não o digo com tristeza ou mágoa, mas sim de forma esperançada e extremamente agradecida, pelo que não foi. Obrigada.

Novidade: Agora - também - podem acompanhar a página no Instagram! ! Até já!


sábado, 16 de setembro de 2017

Férias de - ainda- Verão!


Depois da consciencialização de que o tempo passava sem que eu me apercebesse, decidi correr atrás do prejuízo. Verão espera por mim! – Suplico. Arrumei as malas e segui viagem. Rumei a Sul, onde a probabilidade de os raios se aliarem à minha vontade era bem maior.

As malas de quem viaja sem companhia são fáceis e simples de preparar. Qualquer trapinho nos faz sentir frescas, leves e lindas. A depilação impecável não é prioridade e os horários, são aqueles que eu quiser. Até da pílula nos esquecemos, paciência, não haverão consequências. São as vantagens, as desvantagens não importam nada, não hoje.

As previsões climatéricas não eram favoráveis, mas o positivismo é o meu nome do meio. O vento fresco de manhã apela a planos alternativos, as noites frias, essas pedem um bom livro e tempo para sonhar. Mas as tardes, essas ainda convidam à paisagem e à banda sonora mais inspiradora de todas, a praia. Não tive tempo para me tornar lagosta, e a palidez de final de Verão revela que fiquei aquém das desejada exposição solar obrigatória. O protector solar, fica guardado para o ano, a promessa de que vou aproveitar mais o bom tempo, e o que ele proporciona.

Gosto de sonhar. Fazer planos para um amanhã, mesmo sendo a minha vida uma montanha russa, onde o looping me apanha sempre de surpresa, não importa. Não sofro por antecipação nem do bom nem do mau. Sonhar é das melhores sensações, porquê? Porque o final é sempre aquele que queremos que seja, feliz. 

 Uma escapadela – nada romântica – também faz bem à alma. Inspira.

É a despedida perfeita da minha estação mais-querida, mesmo que este ano a tenha desamparado.

A proximidade da renovação de temporada, enche-me sempre de esperança e expectativas - deve de ser inspiração da FoxLife e outros que tais. Os novos ventos que me sopram no rosto, me percorrem o corpo e mais além, só podem trazer coisas boas. E os próximos capítulos, que sejam de grande emoção, dignos de um filme.